Major-general comandou o Regimento de Cavalaria n.º 3 entre 2008 e 2010. No regresso à unidade, por ocasião do 319.º aniversário, em entrevista ao Alentrium.pt destacou a evolução tecnológica e os laços pessoais que continuam vivos 16 anos depois.
Comandar o Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3), em Estremoz, foi «talvez a maior realização profissional» do major-general Pedro Fonseca Lopes. Em declarações ao Alentrium.pt, no âmbito das comemorações do 319.º aniversário da unidade, num regresso marcado pelas memórias do comando e pelo reconhecimento da capacidade de adaptação do regimento às novas exigências militares.

Pedro Fonseca Lopes esteve à frente do RC3 entre 2008 e 2010, quando tinha o posto de coronel. Dezasseis anos depois, descreve essa experiência como um momento particularmente importante do seu percurso, tanto pelas responsabilidades assumidas como pelas relações humanas que construiu.
«Quando se chega a coronel, o desígnio de um coronel é comandar um regimento, e ter-se a oportunidade de comandar um regimento como este é fantástico», afirmou.
Da passagem por Estremoz levou «as melhores recordações possíveis». E o acolhimento que encontra a cada visita mantém, segundo conta, a intensidade dessa ligação.
«Levo daqui grandes abraços e muito amor e alegria no meu coração», partilhou. Para o antigo comandante, regressar ao RC3 é reencontrar um ambiente familiar: «É como se fosse uma família de quem nós gostamos muito e estamos muito bem inseridos.»
A dimensão afetiva do regresso acompanha um olhar atento sobre a transformação da unidade. Questionado sobre a evolução da Cavalaria e dos seus meios, o major-general considerou-a natural, sustentando que o regimento tem acompanhado o desenvolvimento tecnológico.
«As paredes ficam e guardam muita memória, mas toda a tecnologia que está hoje ao serviço do Exército e da Cavalaria, neste caso, passa muito aqui pelo Regimento», salientou, a propósito de uma unidade instalada num antigo convento.
Pedro Fonseca Lopes destacou, em particular, as capacidades nas áreas das informações e da vigilância, que considera representativas da modernização do RC3.
«A parte mais sofisticada de informações e de vigilância está inserida aqui nesta unidade», o regimento tem acompanhado a evolução tecnológica e está preparado para continuar a fazê-lo no futuro. «É de aplaudir tudo isso», acrescentou.

«Regresso sempre com muitas saudades, mas também com um espírito muito positivo»
A ligação a Estremoz foi outro dos pontos abordados na entrevista. Questionado sobre se a presença da farda do Exército já pode ser entendida, simbolicamente, como património imaterial da cidade, o antigo comandante reconheceu a profunda relação entre a comunidade e a unidade militar.

“Os militares do RC3 estiveram sempre do lado certo da História”
Para Pedro Fonseca Lopes, a presença do regimento integra a própria identidade de Estremoz, numa ligação que considera «inquestionável» e que o seu percurso pessoal continua a testemunhar a cada regresso.
Augusta Serrano- Jornalista


