Quarta-feira, Setembro 16, 2026

Extremadura quer levar EX-A1 até à fronteira portuguesa e ligar autoestrada ao IC31

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Reunião realizada esta quarta-feira em Lisboa deu novo impulso ao corredor transfronteiriço. Portugal considera o IC31 uma prioridade estratégica e os dois lados vão estudar financiamento e coordenação dos calendários das obras.

Portugal e a Extremadura vão aprofundar a coordenação das novas ligações rodoviárias entre os dois territórios e estudar mecanismos de financiamento que permitam compatibilizar os investimentos e os calendários das obras realizadas de ambos os lados da fronteira.

O avanço resulta de uma reunião realizada esta quarta-feira, 2 de setembro, em Lisboa, entre o secretário de Estado das Infraestruturas, Hugo Espírito Santo, e o conselheiro das Infraestruturas, Transportes e Habitação da Junta da Extremadura, Francisco José Ramírez.

O encontro tinha sido anunciado como uma reunião de coordenação bilateral, mas terminou com novos compromissos em torno das acessibilidades entre Portugal e Espanha.

Entre os principais resultados está a confirmação portuguesa de que a ligação de alta capacidade entre Castelo Branco e a fronteira espanhola, através do IC31, é considerada uma prioridade estratégica nacional.

Do lado espanhol, a infraestrutura terá continuidade através da EX-A1, criando um novo corredor rodoviário transfronteiriço.

Portugal e Espanha querem coordenar os calendários

Um dos desenvolvimentos mais relevantes da reunião foi a decisão de estudar fórmulas de financiamento e mecanismos de cooperação destinados a permitir que os investimentos realizados em Portugal e Espanha avancem de forma coordenada.

O objetivo é evitar que a conclusão da infraestrutura de um dos lados da fronteira não tenha continuidade no país vizinho, uma preocupação que a Extremadura vinha manifestando publicamente.

A Junta pretende prolongar a EX-A1 desde a zona de Moraleja até à fronteira portuguesa, enquanto Portugal terá de assegurar a correspondente ligação através do IC31.

A reunião de Lisboa abre agora caminho a uma articulação mais estreita entre as administrações portuguesa e espanhola sobre os prazos e o financiamento necessários para concretizar o corredor.

Nova ponte internacional deverá chegar à Cimeira Luso-Espanhola

Outro dos resultados do encontro foi o avanço em torno da futura ponte internacional sobre o rio Erges, necessária para completar esta nova ligação entre Portugal e Espanha.

Portugal manifestou disponibilidade para avançar com o acordo bilateral necessário à construção da infraestrutura, estando previsto que o assunto seja levado à próxima Cimeira Luso-Espanhola.

A futura travessia sobre o Erges é distinta da nova ponte internacional sobre o rio Sever, entre a zona de Nisa e Cedillo, constituindo outro projeto de ligação rodoviária entre os dois países.

Ferrovia Lisboa–Caia também esteve em cima da mesa

A reunião abordou igualmente as ligações ferroviárias entre Portugal e Espanha.

A delegação portuguesa apresentou à Extremadura o calendário previsto para o desenvolvimento da alta velocidade entre Lisboa e Caia, no âmbito da futura ligação ferroviária entre Lisboa e Madrid.

O horizonte de 2034 foi abordado no encontro no contexto do planeamento desta ligação internacional.

O corredor ferroviário assume particular importância para o Alentejo, atravessando a região através do eixo Évora–Elvas–Caia, antes da entrada em Espanha por Badajoz.

Extremadura procura reforçar corredores com Portugal

A reunião acontece depois de responsáveis políticos e organizações territoriais espanholas terem intensificado as reivindicações para que as infraestruturas construídas na Extremadura tenham continuidade do lado português.

A cooperação fronteiriça envolve atualmente vários projetos de mobilidade, tanto rodoviários como ferroviários, num território onde as duas administrações procuram reduzir os efeitos da fronteira nas deslocações de pessoas e mercadorias.

O encontro desta quarta-feira representa um novo passo nesse processo: Portugal e a Extremadura passam agora a trabalhar também sobre modelos de financiamento e sincronização dos investimentos, enquanto o acordo para a nova ponte sobre o Erges deverá subir à agenda política bilateral entre os dois governos.

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