A Junta de Extremadura quer esclarecimentos sobre os prazos para a nova Ponte Internacional sobre o Rio Sever, entre Cedillo e Montalvão. Do lado português estavam previstos 9 milhões de euros do PRR para uma infraestrutura que chegou a ter conclusão apontada para 2025 e que permitirá encurtar em cerca de 90 quilómetros a ligação entre os dois territórios.
A Junta de Extremadura está a pressionar Portugal por esclarecimentos sobre os atrasos na Ponte Internacional sobre o Rio Sever, uma infraestrutura há décadas aguardada que deverá ligar Cedillo, na província espanhola de Cáceres, a Montalvão, no concelho de Nisa, distrito de Portalegre.
Segundo noticia esta terça-feira, 18 de agosto, a Onda Cero Extremadura, o Governo regional espanhol espera que Portugal esclareça as questões ainda em aberto numa reunião prevista para 2 de setembro, em Lisboa, nomeadamente quanto aos prazos de execução e ao desenvolvimento da componente portuguesa da infraestrutura.
A preocupação espanhola ganha particular relevância perante o calendário inicialmente estabelecido para o projeto. A concretização da nova ligação internacional chegou a estar prevista para 2025, com a componente portuguesa associada a um investimento de 9 milhões de euros financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).
Uma ponte aguardada há mais de 50 anos
A Ponte Internacional sobre o Rio Sever é um projeto com especial importância para as regiões do Alentejo e da Extremadura, não apenas pela criação de uma nova passagem fronteiriça, mas também pelo impacto que terá nas distâncias entre os dois territórios.
A nova infraestrutura permitirá reduzir em cerca de 90 quilómetros a ligação rodoviária entre Montalvão e Cedillo, aproximando o distrito de Portalegre da província de Cáceres através de uma travessia reivindicada e aguardada há mais de 50 anos pelas populações desta zona de fronteira.
Do lado português, o investimento de 9 milhões de euros foi atribuído através do PRR, ficando a concretização a cargo da Câmara Municipal de Nisa, com a intermediação da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDR Alentejo) na ligação à Estrutura de Missão Recuperar Portugal.
Quando foram assinados os contratos de financiamento, o projeto foi apresentado como estratégico para a valorização dos territórios do Interior e para o reforço da coesão territorial e transfronteiriça, com impactos esperados ao nível económico, social, cultural, da cooperação e do emprego dos dois lados da fronteira.
Projeto integra a Eurorregião EUROACE
A futura ligação insere-se ainda na Eurorregião EUROACE, espaço de cooperação que reúne o Alentejo, a Região Centro de Portugal e a Extremadura e que abrange um território onde vivem mais de três milhões de pessoas, correspondentes a cerca de 6% da população da Península Ibérica.
Além da redução das distâncias entre Montalvão e Cedillo, o projeto foi concebido para melhorar as ligações rodoviárias destes territórios, aproximá-los de corredores de maior capacidade e reduzir custos para quem vive e trabalha nesta zona fronteiriça.
A infraestrutura está igualmente enquadrada nos objetivos da Estratégia Comum de Desenvolvimento Transfronteiriço, acordada entre Portugal e Espanha na Cimeira Luso-Espanhola de outubro de 2020.
É precisamente perante a importância atribuída ao projeto e o calendário inicialmente anunciado que a Extremadura procura agora respostas do lado português.
A reunião prevista para 2 de setembro, em Lisboa, deverá, segundo a informação divulgada esta terça-feira pela Onda Cero Extremadura, servir para esclarecer a situação do projeto e os prazos para a execução da componente portuguesa da ponte que deverá finalmente unir Montalvão e Cedillo.


