Antigo Convento de São José da Esperança, encerrado há cerca de 20 anos, poderá transformar-se num espaço dedicado à cultura, inovação, educação e tecnologia, com abertura prevista entre 2028 e 2029.
A Associação Évora_27 está a desenvolver um estudo para a reabilitação e requalificação do Convento Novo, também conhecido como Convento de São José da Esperança, em Évora, com o objetivo de criar um hub cultural e criativo dirigido às novas gerações e com impacto em toda a região. O edifício, localizado junto à Porta de Aviz e sem utilização há cerca de duas décadas, poderá vir a acolher um projeto de escala intermunicipal após o ano da Capital Europeia da Cultura 2027.
A presidente da Associação Évora_27, Maria do Céu Ramos, revelou, em declarações ao Jornal ODigital.pt, que a entidade está a analisar a viabilidade de transformar o Convento Novo numa infraestrutura dedicada à cultura, à criatividade, à ciência e à inovação tecnológica.
Segundo a responsável, trata-se de uma nova ambição estratégica associada ao legado da Capital Europeia da Cultura, não estando inicialmente prevista no livro de candidatura de Évora ao título europeu. O documento original integrava já 25 projetos estruturantes, entre os quais o futuro equipamento cultural multifunções.
Maria do Céu Ramos sublinhou, contudo, que tanto a Associação Évora_27 como a Câmara Municipal de Évora mantêm o compromisso de concretizar esse equipamento previsto na candidatura, considerando que o projeto de recuperação do Convento Novo surge como uma oportunidade complementar para reforçar a oferta cultural da cidade e da região.
A proposta atualmente em estudo pretende devolver vida a um imóvel histórico que se encontra sem utilização há aproximadamente 20 anos. Com uma área próxima dos 4.000 metros quadrados, o espaço poderá acolher atividades educativas, científicas, artísticas, culturais e tecnológicas, assentes numa lógica de transdisciplinaridade e de partilha de conhecimento.
De acordo com a presidente da associação, o projeto está a ser desenvolvido em articulação com a Comunidade Intermunicipal, procurando garantir uma dimensão territorial mais alargada e a integração em redes europeias de cooperação e inovação cultural.
A infraestrutura foi concebida para servir os cerca de 122 mil habitantes abrangidos pela comunidade intermunicipal, evitando que a sua utilização fique limitada à cidade de Évora. O modelo de gestão previsto deverá envolver entidades da sociedade civil, autarquias e outras instituições parceiras.
Maria do Céu Ramos referiu ainda que o facto de o edifício ser património do Estado e estar sujeito a diversos condicionamentos administrativos e financeiros torna improvável a conclusão da obra até 2027.
Por essa razão, o calendário atualmente apontado para a concretização do projeto situa a abertura do futuro hub cultural entre 2028 e 2029. A responsável defendeu que o legado da Capital Europeia da Cultura deve ser construído numa perspetiva de longo prazo, afirmando que “nem tudo se faz no tempo do ano de título”.
“Vamos dar tempo ao tempo. Vamos habitar o tempo e vamos investir o melhor que temos para que isso aconteça”, acrescentou.
Caso avance, a recuperação do Convento Novo poderá representar uma das mais significativas intervenções de valorização patrimonial e cultural associadas ao legado de Évora enquanto Capital Europeia da Cultura, reforçando a ligação entre património, criatividade, inovação e desenvolvimento regional.
Augusta Serrano – jornalista


