Quarta-feira, Outubro 7, 2026

Évora reduz consumo de energia até 20% com soluções testadas em edifícios históricos

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Projeto europeu POCITYF usou Évora e Alkmaar, nos Países Baixos, como cidades-piloto para testar mais de 50 soluções de energia, mobilidade e digitalização. Na cidade alentejana, as medidas permitiram uma poupança energética média até 20% e uma redução estimada de 15% das emissões de gases com efeito de estufa.

Évora serviu durante sete anos de laboratório urbano para testar soluções destinadas a conciliar a transição energética com a preservação de uma cidade classificada como Património Mundial pela UNESCO. Telhas e vidros fotovoltaicos capazes de produzir energia sem alterar a imagem do edificado histórico estão entre as tecnologias experimentadas na cidade alentejana no âmbito do projeto europeu POCITYF.

A iniciativa, liderada pela EDP e desenvolvida por um consórcio de 48 parceiros europeus, teve Évora e Alkmaar, nos Países Baixos, como cidades de demonstração e envolveu um investimento de 18 milhões de euros, financiado através do programa Horizonte 2020.

Em declarações à Renascença, João Cravinho, engenheiro de inovação e pesquisa da EDP e coordenador do consórcio, fez um balanço positivo dos sete anos de trabalho.

“Foram sete anos muito positivos e não é um trocadilho”, afirmou.

Ao longo do projeto foram demonstradas mais de 50 soluções inovadoras, abrangendo edifícios e bairros energeticamente positivos, gestão inteligente e armazenamento de energia, mobilidade elétrica e plataformas digitais destinadas à gestão das cidades.

A condição patrimonial da cidade colocou desafios específicos à implementação das novas tecnologias. Entre as soluções utilizadas encontram-se telhas e vidros fotovoltaicos integrados nos edifícios.

“São elementos das fachadas que podem, neste caso, gerar energia sem alterar o aspeto da cidade, as fachadas dos prédios, todo o edificado que está protegido. Cumpre com os requisitos de proteção de património cultural”, explicou João Cravinho à Renascença.

A intervenção em Évora exigiu também adaptações aos materiais e às características dos imóveis existentes, além das autorizações necessárias por parte das entidades competentes.

“Foi necessário adaptar muitas das soluções aos próprios edifícios, ao tipo de vidros, ao tipo de materiais, às claraboias que já existem e foram precisas, claro, permissões das autoridades competentes para podermos instalar, de facto, estas soluções”, acrescentou.

Outras tecnologias foram sobretudo experimentadas em Alkmaar, incluindo baterias de segunda vida e bombas de calor integradas em redes de aquecimento e arrefecimento. O projeto contemplou ainda infraestruturas públicas para carregamento de veículos elétricos.

Segundo os resultados divulgados pela Renascença, as medidas implementadas em Évora permitiram alcançar uma poupança energética média até 20%, acompanhada por uma redução estimada de 15% das emissões de gases com efeito de estufa.

No conjunto do projeto, os resultados apontam para uma redução de cerca de 35% no consumo e para níveis próximos de 70% de autossuficiência.

Apesar dos resultados, João Cravinho reconhece que algumas das tecnologias testadas continuam a ter custos superiores aos das soluções convencionais. Segundo o responsável, já existe, contudo, interesse na experiência por parte de outras cidades portuguesas e europeias, incluindo Lisboa e Porto.

A experiência desenvolvida em Évora procurou responder precisamente a uma das questões colocadas às cidades históricas: como introduzir novas formas de produção e gestão de energia sem comprometer os valores arquitetónicos e patrimoniais que justificam a sua proteção.

“Tudo isto culmina com a necessidade também destas cidades fazerem parte da transição energética”, sublinhou João Cravinho.

Ao fim de sete anos, o POCITYF deixa em Évora um conjunto de soluções testadas em contexto real e dados sobre a sua aplicação numa cidade histórica, procurando demonstrar que a modernização energética pode ser desenvolvida em paralelo com as exigências de conservação do património.

Augusta Serrano – Jornalista

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