Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Évora entre as dez universidades que desenham uma nova agenda para a ciência

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Rede reúne dez universidades públicas e pretende aumentar a cooperação nas Ciências Exatas e Naturais. Fernando Carapau destaca a ligação da instituição ao Alentejo e defende que nenhuma região deve ficar à margem da criação de conhecimento.

Universidade de Évora é uma das dez instituições fundadoras do novo Consórcio de Escolas de Ciências (CEC), uma rede nacional criada para reforçar a colaboração entre universidades públicas nas áreas da educação, formação avançada, investigação, inovação e comunicação de ciência no domínio das Ciências Exatas e Naturais.

O protocolo que formaliza a criação do consórcio foi assinado a 24 de julho, na Reitoria da Universidade do Minho, em Braga, numa cerimónia que contou com a presença do ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, do reitor da Universidade do Minho, Pedro Arezes, e dos responsáveis das dez instituições fundadoras.

Além da Universidade de Évora, fazem parte da nova estrutura as universidades dos Açores, Algarve, Aveiro, Beira Interior, Lisboa, Madeira, Minho, Porto e Trás-os-Montes e Alto Douro.

A Universidade de Évora esteve representada por Fernando Carapau, diretor da Escola de Ciências e Tecnologia (ECT), que destacou a importância da participação da academia alentejana numa estrutura de dimensão nacional.

“Para a Universidade de Évora, este momento tem um significado muito especial”, afirmou Fernando Carapau, acrescentando que “a Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora está de corpo e alma neste Consórcio”.

Para o diretor da ECT, a participação no CEC conjuga a experiência acumulada pela Universidade de Évora no ensino e na investigação com a sua implantação territorial.

“Fazêmo-lo com sentido de missão, com a experiência acumulada no ensino e na investigação, com a ligação profunda ao Alentejo e com a ambição de contribuir para uma agenda científica verdadeiramente nacional. Enquanto Diretor da Escola de Ciências e Tecnologia, não posso deixar de partilhar a minha satisfação por ver a ECT integrar este projeto e por acreditar que será, nele, uma mais-valia ativa, leal e exigente”, salientou.

Fernando Carapau enquadra ainda a criação do consórcio numa perspetiva de valorização das Ciências Exatas e Naturais e de maior participação dos diferentes territórios na produção científica.

“Este Consórcio afirma, por isso, uma visão de futuro: a de um país que reconhece nas Ciências Exatas e Naturais uma infraestrutura estratégica; que valoriza a ciência fundamental e a ciência aplicada; que entende a literacia científica como condição de cidadania; e que sabe que nenhuma região deve ficar à margem da criação de conhecimento”, afirmou.

O responsável da Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora considera que os desafios atuais reforçam a responsabilidade das instituições científicas perante a sociedade, apontando áreas que vão da transição climática e inteligência artificial à saúde pública, energia, recursos naturais e coesão territorial.

“Num tempo em que a Sociedade é chamada a responder a desafios de extraordinária complexidade – da transição climática à inteligência artificial, da saúde pública à gestão dos recursos naturais, da energia à coesão territorial – a excelência no ensino, na investigação e na inovação deixou de ser apenas uma ambição académica”, referiu.

Segundo Fernando Carapau, trata-se atualmente de “uma responsabilidade pública”, que passa por melhorar a formação, aprofundar a investigação, transferir conhecimento e comunicar ciência de forma clara à sociedade.

O diretor da ECT sublinha igualmente que a criação do CEC procura aproveitar as capacidades existentes nas diferentes universidades, sem retirar identidade às instituições ou aos territórios onde estão implantadas.

“O Consórcio de Escolas de Ciências nasce precisamente dessa consciência. Reúne Escolas, Faculdades e Universidades públicas que, mantendo a sua identidade e a riqueza dos seus territórios, escolhem trabalhar em rede de forma a reforçar a colaboração na educação, na formação avançada, na investigação, na inovação e na comunicação de ciência no domínio das Ciências Exatas e Naturais.”

Para Fernando Carapau, o objetivo passa por “multiplicar capacidades” e criar massa crítica através da cooperação entre instituições.

“Há aqui uma ideia poderosa de academia: a Academia que partilha, que se associa, que constrói pontes entre regiões, laboratórios, estudantes, docentes, investigadores e decisores”, concluiu.

Entre as prioridades definidas para o Consórcio de Escolas de Ciências está o contributo para a definição de políticas públicas relacionadas com estas áreas científicas, bem como a dinamização de projetos conjuntos entre as instituições participantes.

A nova estrutura pretende igualmente incentivar as vocações científicas entre os jovens e valorizar a literatura e a cultura científicas.

O consórcio permanece aberto à futura adesão de outras escolas, faculdades ou departamentos do ensino superior público com atividade relevante nas áreas abrangidas.

Nos primeiros dois anos, a sede do CEC ficará instalada na Escola de Ciências da Universidade do Minho. José Manuel González-Méijome, presidente daquela Escola, assume a presidência do consórcio durante o mesmo período.

Fonte: Universidade de Évora

Augusta Serrano – Jornalista

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