Município e Fundo Ambiental assinaram protocolo para a segunda fase da requalificação do Rossio de São Brás, projeto que pretende reduzir as ilhas de calor urbano e criar uma nova centralidade para a cidade.
Évora, 7 de julho de 2026 – O Município de Évora formalizou esta terça-feira a assinatura do protocolo com o Fundo Ambiental que garante a execução da segunda fase da requalificação e renaturalização do Rossio de São Brás, num investimento de 3,335 milhões de euros. A intervenção pretende reforçar a adaptação da cidade às alterações climáticas, reduzindo o efeito das ilhas de calor urbano e valorizando um dos principais espaços públicos da capital alentejana.

A cerimónia decorreu no Palácio D. Manuel e contou com a presença da ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho.
Integrado num programa-piloto nacional financiado pelo Fundo Ambiental, o projeto abrange cerca de 29 mil metros quadrados e visa aumentar a resiliência climática do Rossio de São Brás, através da criação de mais áreas verdes, do reforço da permeabilidade dos solos e da melhoria das condições de conforto térmico para quem utiliza diariamente este espaço.
Durante a apresentação, a chefe de Gabinete do presidente da Câmara Municipal de Évora, Teresa Batista, explicou que a intervenção responde às características atuais do local, marcado pela reduzida presença de vegetação e pela predominância de superfícies impermeáveis, fatores que contribuem para o aumento das temperaturas em contexto urbano.
Na sua intervenção, o presidente da Câmara Municipal de Évora, Carlos Zorrinho, defendeu que a ecologia urbana constitui atualmente um instrumento indispensável para enfrentar os desafios colocados pelas alterações climáticas.
O autarca considerou que esta requalificação representa uma nova abordagem à intervenção urbana, centrada na melhoria da qualidade de vida da população. Segundo afirmou, o Rossio de São Brás passará a assumir uma nova função na cidade, tornando-se “o coração e um pulmão da cidade”, em complementaridade com a Praça do Giraldo, que classificou como o coração do Centro Histórico.
Carlos Zorrinho destacou igualmente que esta obra integra as intervenções estruturantes da preparação de Évora – Capital Europeia da Cultura 2027, sublinhando que resulta da colaboração entre o Município, a associação Évora_27 e o Governo.
Dirigindo-se à ministra Maria da Graça Carvalho, o presidente da autarquia agradeceu o apoio do Executivo, afirmando que o seu contributo “fica para sempre gravado no presente e no futuro desta terra”.
Além da componente ambiental, a empreitada foi concebida para preservar e qualificar a utilização multifuncional do Rossio de São Brás. O espaço continuará a acolher o parque de estacionamento, as feiras mensais, a tradicional Feira de São João e grandes eventos associados à programação da Capital Europeia da Cultura 2027, conciliando essas funções com uma maior sustentabilidade ambiental.
A intervenção prevê a criação e requalificação de cerca de 8.500 metros quadrados de espaços verdes, a plantação de aproximadamente 1.500 árvores e arbustos, dos quais mil serão exemplares de médio e grande porte, bem como um aumento significativo das áreas permeáveis do Rossio.
O conceito inspira-se no projeto “Bosk”, desenvolvido pelo artista e arquiteto paisagista holandês Bruno Doedens e apresentado em 2022 na cidade neerlandesa de Leeuwarden.
Em Évora, esta abordagem foi adaptada às características climáticas e urbanas do Alentejo através do projeto “Floresta Nómada”, integrado na programação da Capital Europeia da Cultura 2027.
A iniciativa privilegia a plantação de espécies adaptadas ao clima mediterrânico e pretende criar um espaço urbano mais resiliente, contribuindo para reduzir a temperatura ambiente, aumentar a biodiversidade e reforçar a capacidade de adaptação da cidade às alterações climáticas.
Com esta segunda fase da requalificação, o Município de Évora prossegue a estratégia de regeneração urbana e valorização do espaço público, apostando numa intervenção que conjuga sustentabilidade ambiental, funcionalidade e preparação da cidade para os desafios futuros.
Fonte: Município de Évora
Augusta Serrano – Jornalista