Segunda-feira, Julho 20, 2026

Entrevista: Deputado Francisco Figueira destaca património, memória coletiva de Vila Viçosa

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V Feira de Inspiração Renascentista de Vila Viçosa terminou no passado domingo, 7 de junho, depois de três dias dedicados à recriação e valorização da época renascentista. O evento reuniu dezenas de iniciativas culturais e históricas, incluindo música, dança, teatro, falcoaria, animação itinerante e um mercado temático instalado no recinto do certame.

À margem da iniciativa, o Alentrium.pt esteve presente e falou com o deputado Francisco Figueira, Secretário da Mesa da Assembleia da República, sobre a importância deste tipo de eventos na valorização do património histórico e cultural de Vila Viçosa.

Para o parlamentar, a vila possui características únicas que a tornam particularmente apta a recuperar e projetar a sua herança histórica.

“Se há vila que pode projetar, valorizar e fazer renascer o seu passado é Vila Viçosa, por todo o seu património e por toda a sua história. Vila Viçosa não é passado, é futuro”, afirmou.

Segundo Francisco Figueira, iniciativas como a Feira de Inspiração Renascentista representam mais do que uma recriação histórica, funcionando como instrumentos de afirmação identitária e de valorização do território.

O deputado defendeu que o percurso histórico de Vila Viçosa e dos seus habitantes, os calipolenses, coloca a localidade numa posição de destaque na história nacional, considerando que esse legado deve ser assumido com orgulho e transformado numa oportunidade de desenvolvimento.

“Este é um percurso secular que esta vila e o seu povo tiveram ao longo de séculos na linha da frente da história de Portugal e que hoje se projeta com uma nova energia e com um novo reconhecimento nacional e internacional”, referiu.

Francisco Figueira considerou ainda que, durante largos períodos, o património histórico local não recebeu a valorização que merecia, defendendo que nos últimos anos se abriu um novo ciclo de reconhecimento da identidade histórica de Vila Viçosa.

Na sua perspetiva, o objetivo não passa por promover uma visão nostálgica do passado, mas sim utilizar esse património como fator de afirmação e desenvolvimento futuro.

“Não se trata de saudosismo nem de reconstituições históricas sem sentido. Trata-se de afirmar orgulhosamente a identidade de Vila Viçosa e projetá-la num futuro melhor para todos”, sublinhou.

Durante a entrevista, o Secretário da Mesa da Assembleia da República abordou também a candidatura de Vila Viçosa a Património Mundial da UNESCO, considerando que o reconhecimento internacional constitui um passo natural para uma vila que já possui relevância patrimonial reconhecida a nível nacional e internacional.

“Vila Viçosa precisa apenas do reconhecimento de que é património da humanidade, porque na realidade já é património nacional e internacional. Precisa agora desse selo da UNESCO para se posicionar e projetar em meios onde hoje ainda não consegue chegar”, afirmou.

ler também: Vila Viçosa volta ao Renascimento com três dias de história viva no Castelo

O deputado descreveu Vila Viçosa como uma “bela adormecida”, referindo o peso histórico acumulado ao longo dos últimos quatro séculos e defendendo que esse legado merece uma projeção mais ampla.

Entre os exemplos referidos, recordou a visita do Papa João Paulo II à vila no início da década de 1980, considerando que episódios marcantes da história local nem sempre tiveram a visibilidade correspondente à sua importância.

Para Francisco Figueira, é precisamente essa combinação entre património, memória coletiva, identidade e singularidade cultural que poderá servir de base à construção do futuro do concelho.

“Foi esta história que criou este povo, este património e esta identidade própria e única no país e no mundo. Julgo que é a partir daí que vamos construir uma nova história para o povo calipolense”, concluiu.

A quinta edição da Feira de Inspiração Renascentista voltou assim a colocar Vila Viçosa no centro das atenções, promovendo a ligação entre património, cultura e comunidade, num momento em que o concelho continua a afirmar a sua candidatura ao reconhecimento mundial da UNESCO.

Augusta Serrano

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