Sexta-feira, Maio 15, 2026

Entrevista | Álvaro Beijinha, Presidente da Câmara de Sines: “oportunidades únicas, que exigem respostas à altura”

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Álvaro Beijinha, eleito pela CDU, tomou posse recentemente como novo presidente da Câmara Municipal de Sines, iniciando assim o seu primeiro mandato à frente do município. Em entrevista ao Alentrium.pt, o autarca abordou os principais desafios e linhas de actuação previstas para os próximos quatro anos.

Augusta Serrano (Alentrium.pt) – Sr. Presidente, assumiu recentemente  a presidência da Câmara Municipal de Sines. Entrando agora neste novo ciclo político, quais são as principais prioridades que já identificou para o início deste mandato?

Álvaro Beijinha – Antes de mais, é uma grande honra assumir este desafio. Estamos conscientes da responsabilidade que representa liderar um concelho com a relevância de Sines. As nossas prioridades passam, desde logo, por responder aos desafios que o crescimento económico está a criar, nomeadamente na habitação, nas infraestruturas, e no acesso aos serviços públicos. Ao mesmo tempo, queremos diversificar a imagem de Sines, promovendo o turismo sustentável e reforçando a coesão social.

Augusta Serrano – A habitação tem sido um tema recorrente. Considera que é o maior desafio deste mandato?

Álvaro Beijinha – Sim, sem dúvida. A pressão habitacional em Sines é enorme e tenderá a agravar-se. Temos a expectativa de um crescimento populacional muito significativo nos próximos 10 a 15 anos. O acesso à habitação tornou-se um problema estrutural, agravado pela ausência de planeamento nos últimos anos. O anterior executivo não candidatou qualquer projecto ao programa 1.º Direito, o que nos retira agora margem de manobra no PRR.

Estamos a trabalhar em várias frentes: preparar a venda de terrenos municipais por concurso público com obrigatoriedade de afectação de uma percentagem para habitação a custos controlados; negociar com investidores para que o pagamento seja feito em espécie, ou seja, em fogos habitacionais; e, paralelamente, apoiar o regresso das cooperativas de habitação com a cedência gratuita de terrenos, desde que respeitem regras claras de não especulação.

Augusta Serrano – Com tantos investimentos privados de grande dimensão, considera que existe falta de resposta pública do Governo?

Álvaro Beijinha – Essa é uma preocupação central. Estamos a falar de milhares de milhões de euros em investimento privado, como o projecto da Calb, no valor de 2,1 mil milhões de euros, para uma fábrica de baterias elétricas. É imperativo que o Governo acompanhe este esforço com investimento público, particularmente em áreas como educaçãosaúdeacessibilidades rodoviárias e ferroviárias.

Sines continua sem ligação ferroviária de passageiros e sem uma autoestrada directa à capital. Isto é incompreensível para um território que acolhe o maior porto do país e um dos maiores da Europa. Precisamos de uma resposta estruturada e coordenada entre o Governo e o Município.

Augusta Serrano – Já referiu a intenção de atrair mais pessoas para Sines. O turismo poderá ter aqui um papel relevante?

Álvaro Beijinha – Absolutamente. Sines é muitas vezes associado apenas à indústria e ao porto, mas temos mar, praias, património histórico, identidade cultural e uma localização estratégica. Queremos apostar no turismo fora da época alta, promovendo o concelho de forma diferenciada.

Temos trabalhado com a Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo no desenvolvimento de iniciativas que valorizem o nosso território e criem condições para atrair visitantes ao longo de todo o ano. Queremos posicionar Sines também como destino para pequenas produções audiovisuais, o que dinamiza a economia local e promove o concelho de forma autêntica.

Augusta Serrano – Sente que os dois concelhos vizinhos – Sines e Santiago do Cacém – continuam hoje fortemente interligados?

Álvaro Beijinha – Sem dúvida. Existe uma relação histórica e funcional entre Sines e Santiago do Cacém, reforçada desde a construção do complexo portuário e industrial. A cidade de Vila Nova de Santo André, por exemplo, nasceu desse planeamento conjunto. Conheço bem esta realidade, pelos 12 anos que estive à frente da autarquia de Santiago. Essa experiência será certamente útil para gerir este novo ciclo em Sines, que exige visão integrada e cooperação regional.

Augusta Serrano – Por fim, que legado gostaria de deixar ao fim deste mandato?

Álvaro Beijinha – Gostava de deixar um concelho mais equilibrado, mais preparado para o futuro e com melhor qualidade de vida para todos. Um território onde o desenvolvimento económico seja acompanhado pela justiça social, pelo acesso à habitação, à mobilidade, à educação e à saúde. Esse é o nosso compromisso. E será esse o nosso foco.

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Augusta Serrano

Jornalista

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