Setor debate desafios estratégicos do turismo em Portugal, sustentabilidade, inovação e valorização dos destinos do interior.
Teve início esta quinta-feira, 6 de março, em Elvas, o XXII Congresso da Associação dos Diretores de Hotéis de Portugal (ADHP), que reúne mais de 600 profissionais do setor hoteleiro provenientes de várias regiões do país. O encontro decorre até sexta-feira, dia 7, no Centro de Negócios Transfronteiriço de Elvas.

O congresso junta diretores de hotéis, especialistas e representantes do setor do turismo, promovendo a partilha de experiências e a reflexão sobre os principais desafios que se colocam atualmente à hotelaria.
Durante a sessão de abertura, o presidente da direção da ADHP, Fernando Garrido, agradeceu a presença dos profissionais do setor e destacou a forte mobilização dos participantes, muitos dos quais regressaram recentemente de eventos internacionais da área do turismo.

“Quero cumprimentar todos os colegas e profissionais do setor que continuam a estar presentes massivamente para estes dois dias de trabalho, mesmo depois de uma BTL e de uma ITB, onde sei que muitos de vocês estiveram presentes e que acabaram de chegar ontem. Ainda assim, não deixaram de marcar presença.”
O responsável sublinhou ainda a escolha de Elvas para acolher o congresso, destacando o papel destes encontros na dinamização de territórios do interior.
“Optar por destinos menos reconhecidos para os nossos eventos permite dar a conhecer estas regiões e dinamizar a atividade em época baixa. Só esta noite temos cerca de 300 reuniões nesta cidade.”

No seu discurso, Fernando Garrido referiu os dados mais recentes da atividade turística, sublinhando a evolução positiva do setor em Portugal.
“No ano passado ultrapassámos os 82 milhões de dormidas, o que representa um crescimento de 2,2% face ao ano anterior, com mais de sete mil milhões de euros de proveitos globais. O turismo continua assim a superar, ano após ano, os melhores resultados recentes.”
Ainda assim, alertou para a necessidade de uma abordagem estratégica que permita sustentar este crescimento no futuro.
“Para garantir a continuidade deste desempenho é necessário pensar o setor de forma estratégica.”
O presidente da ADHP destacou também a crescente complexidade da gestão hoteleira e o papel central dos diretores de hotel na liderança das equipas e na qualidade do serviço prestado.
“A hotelaria portuguesa atingiu um nível de sofisticação que exige lideranças altamente qualificadas. O diretor de hotel deixou de ser apenas um gestor operacional, assumindo hoje a responsabilidade por equipas multidisciplinares e por uma gestão cada vez mais exigente.”
Neste contexto, referiu a expectativa do setor em relação à entrada em vigor do RESET, enquadramento que pretende reforçar o reconhecimento e a valorização destes profissionais.
Entre as principais preocupações apontadas pelo setor estão também as infraestruturas estratégicas para o turismo, nomeadamente o novo aeroporto de Lisboa e a ferrovia de alta velocidade.
“É irreal esperarmos que os resultados do turismo continuem a crescer de forma consistente quando os principais acessos ao nosso país estão congestionados.”
O dirigente alertou igualmente para os possíveis impactos da instabilidade geopolítica internacional, referindo que alguns hotéis já registam alterações nas reservas.
“Algumas unidades começam a registar cancelamentos ou adiamentos de reservas individuais ou de grupos, enquanto surgem consultas para relocalização de eventos inicialmente previstos para destinos mais afetados por conflitos.”
Ao longo dos dois dias de congresso serão debatidos temas como a atração de clientes locais para restaurantes de hotel, a promoção de destinos de baixa densidade, a sustentabilidade na hotelaria, a gestão de equipas, o bem-estar no trabalho e o impacto crescente da inteligência artificial na gestão hoteleira.
O programa inclui ainda a apresentação de estudos sobre ambientes de trabalho no turismo, o lançamento do livro Gestão Hoteleira II e a entrega de diplomas de cursos de especialização em direção hoteleira.


