Infraestrutura de 18,9 milhões de euros entra em funcionamento para beneficiar cerca de 1.560 hectares. Agricultores falam em momento histórico para o concelho e para a economia local
A Rede de Rega do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora (AHX) foi oficialmente inaugurada esta terça-feira, em Campo Maior, colocando um ponto final numa espera de cerca de 25 anos por uma infraestrutura considerada decisiva para o desenvolvimento agrícola do Norte Alentejano. A cerimónia contou com a presença do ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, que assinalou a entrada em funcionamento de um investimento superior a 18,9 milhões de euros, destinado a assegurar a rega de aproximadamente 1.560 hectares.

O Alentrium.pt acompanhou a inauguração no local e ouviu um dos agricultores que acompanhou todo o processo desde o início. António Manuel Gama Pinheiro, primeiro presidente da Associação de Beneficiários do Aproveitamento Hidroagrícola do Xévora e atual presidente da Assembleia Geral da associação, considera que a concretização da obra representa o culminar de décadas de persistência.
“Sou um dos beneficiários desta obra e, além disso, fui o primeiro presidente da Associação. Sempre estive ligado a este projeto e esta é uma luta de muitos anos que finalmente conseguiu concretizar-se”, afirmou.
O agricultor fez ainda questão de recordar a origem do projeto, defendendo que a construção da barragem foi determinante para tornar possível a rede de rega.
“Não há rede de rega sem haver barragem. A barragem deve-se à iniciativa do Dr. Capoulas Santos, que, apesar de não ser um homem da área agrícola, teve a sensibilidade de perceber que não há agricultura no Alentejo sem água. Foi ele o impulsionador da barragem e considero que era de justiça reconhecer esse contributo.”

Impacto económico vai além da agricultura
Na perspetiva de António Manuel Gama Pinheiro, os benefícios da nova infraestrutura não se limitam às explorações agrícolas, estendendo-se a toda a economia local.
“Isto vai dinamizar fortemente a economia da região e, concretamente, de Campo Maior. É um grande benefício para os agricultores, mas também para toda a indústria que gira em torno da agricultura. Em termos sociais representa igualmente uma valorização significativa. É uma obra com um enorme impacto para Campo Maior.”
Durante a inauguração foi igualmente apresentado ao ministro da Agricultura um novo projeto associado ao aproveitamento hidroagrícola, que pretende reforçar o potencial da infraestrutura agora inaugurada.

Entraves ambientais marcaram duas décadas de espera
Questionado sobre os motivos que levaram a um atraso de cerca de um quarto de século até à concretização da obra, o agricultor aponta sobretudo questões ambientais.
“Os principais problemas foram de natureza ambiental. As questões ambientais que foram sendo levantadas acabaram, em várias fases, por inviabilizar investimentos e adiar sucessivamente este projeto.”
Com 80 anos, António Manuel Gama Pinheiro diz sentir satisfação por ver finalmente concluída uma obra que acompanhou desde o início.
“Tenho já 80 anos. Acompanhei este processo durante mais de 25 anos e estou satisfeito porque, apesar de estar quase no fim da vida, pelo menos vejo a obra concretizada.”

Interesse dos agricultores é elevado
Segundo o responsável, existe já uma forte adesão por parte dos futuros utilizadores da rede de rega.
“Há muitos beneficiários interessados. E depois, indiretamente, interessa ainda muito mais gente. Há já um dinamismo muito grande no concelho.”
Na sua visão, o novo aproveitamento hidroagrícola poderá desempenhar, à escala local, um papel semelhante ao que o Alqueva teve no Baixo Alentejo.
“Quando pensamos no impacto que o Alqueva teve na dinamização do Baixo Alentejo, aqui, numa dimensão diferente, esta obra representa a dinamização do concelho de Campo Maior.”
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A entrada em funcionamento da Rede de Rega do Xévora representa um dos mais relevantes investimentos agrícolas realizados nos últimos anos no concelho, criando condições para aumentar a produtividade das explorações, diversificar culturas e reforçar a competitividade do setor agrícola no Alto Alentejo.
Augusta Serrano
Jornalista


