Em declarações ao Alentrium.pt, Roberto Grilo, vice-presidente da CCDR Alentejo, explicou que as descargas em barragens como a do Alqueva são inevitáveis devido à elevada pluviosidade, estando a ser realizadas de forma controlada para evitar riscos para populações e infraestruturas
A SEDES – Associação para o Desenvolvimento Económico e Social, através do seu Núcleo Distrital de Évora, organizou no passado dia 29 de janeiro um Encontro de Reflexão sobre a transição energética no Alentejo Central. O evento, que decorreu no PACT – Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia, integrou-se na iniciativa Temas para o Território e juntou especialistas, autarcas e cidadãos para debater os desafios e oportunidades associados à evolução do modelo energético na região.

Entre os intervenientes, esteve presente Roberto Grilo, vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo (CCDRA), com o pelouro da agricultura, que à margem da iniciativa, prestou declarações ao alentrium.pt, Grilo abordou a atual situação hidrológica marcada pelas intensas chuvas e o consequente aumento do caudal das barragens, nomeadamente da Alqueva, que levou à abertura das comportas pela primeira vez em 13 anos.
“Estão a ocorrer descargas controladas em várias barragens — Alqueva, Pedrógão e outras — como resposta à elevada pluviosidade. Trata-se de uma operação inevitável para garantir a segurança de equipamentos e populações”, afirmou Roberto Grilo.
O responsável sublinhou ainda que, apesar da saturação dos solos e da possibilidade de impactos em zonas agrícolas junto às margens do Guadiana, as operações estão a ser geridas de forma a minimizar riscos.
“A agricultura nas margens do Alqueva tem vindo a crescer, o que naturalmente levanta preocupações. No entanto, as condições de segurança estão salvaguardadas. Ainda que estas descargas, em grande parte, acabem por escoar para o mar, importa lembrar que o projeto estratégico Água Qune, previsto para 2026, permitirá reaproveitar esta água de forma eficiente”, acrescentou Grilo.
O encontro promovido pela SEDES permitiu igualmente explorar o papel do Alentejo Central como território-chave na descarbonização, no desenvolvimento das energias renováveis e na adaptação às alterações climáticas. A participação ativa de decisores políticos, técnicos e cidadãos reforçou o compromisso com uma transição energética inclusiva, sustentável e ancorada no conhecimento e nas especificidades do território.


