Relatório da Dils revela crescimento de 11% do investimento imobiliário no primeiro semestre de 2026. Hotelaria lidera a captação de capital e a Comporta continua entre os mercados residenciais com maior procura.
O mercado imobiliário português captou 1,4 mil milhões de euros em investimento no primeiro semestre de 2026, um crescimento de 11% face ao mesmo período do ano anterior, apesar de uma desaceleração registada entre abril e junho. A hotelaria voltou a assumir o papel de principal destino do investimento, enquanto a Comporta manteve uma trajetória positiva na procura residencial, reforçando a atratividade daquele território do litoral alentejano.

Os dados constam do mais recente Dils Recap, divulgado esta quarta-feira pela consultora imobiliária Dils, que analisa a evolução dos principais segmentos do mercado nacional.
No segundo trimestre, o investimento imobiliário totalizou 462 milhões de euros, menos 18% do que no período homólogo de 2025. Ainda assim, o desempenho acumulado do semestre foi suficiente para superar os resultados do ano anterior, sustentado sobretudo pelo forte contributo do investimento internacional, responsável por 76% do capital aplicado nas operações de maior dimensão.
A hotelaria destacou-se como o segmento mais procurado pelos investidores, concentrando 36% do investimentorealizado entre abril e junho. Segundo a Dils, o volume aplicado neste setor durante os primeiros seis meses de 2026 já ultrapassou os montantes registados em todo o ano de 2024 e de 2025, impulsionado por várias operações de elevado valor, incluindo a aquisição de 72% do Corinthia Lisboa Hotel por 150 milhões de euros e a venda de oito ativos do Project Nau por 90 milhões de euros.
Também o segmento Industrial & Logística manteve um desempenho robusto, absorvendo 26% do investimento trimestral e beneficiando da procura por ativos de nova geração com melhores características técnicas e operacionais.
Comporta continua entre os mercados residenciais mais procurados
No segmento residencial, a Comporta voltou a evidenciar uma evolução positiva durante o segundo trimestre. De acordo com a Dils, os empreendimentos com valores inferiores a 1,5 milhões de euros registaram níveis sólidos de absorção, impulsionados sobretudo por compradores nacionais e por investidores.
O relatório antecipa ainda vários novos lançamentos residenciais na região durante o terceiro trimestre, embora alerte que os processos de licenciamento continuam a provocar atrasos na concretização de diversos projetos. Muitos promotores mantêm, por isso, os empreendimentos em regime off-market até ao início da construção, procurando reforçar a confiança dos compradores.
Oferta continua insuficiente para responder à procura
A análise da Dils conclui igualmente que a oferta habitacional permanece abaixo das necessidades do mercado. Embora o número de fogos licenciados e concluídos tenha aumentado cerca de 3% no primeiro semestre, continua a existir apenas uma habitação concluída por cada seis vendidas.
Esta escassez tem contribuído para a valorização dos preços das casas, que cresceram 17,8% face ao mesmo período de 2025 e 3,8% relativamente ao trimestre anterior.
Em comunicado, o CEO da Dils Portugal, Pedro Lancastre, considera que os resultados confirmam a capacidade de resistência do mercado nacional, salientando que o peso do investimento estrangeiro demonstra que Portugal continua a ser visto como um destino competitivo e com fundamentos sólidos. O responsável sublinha ainda que a estabilidade das yields reflete a confiança dos investidores, apesar da maior exigência na seleção e avaliação dos ativos.
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Augusta Serrano – Jornalista



