Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Chineses avançam com mais de 98 mil painéis, integrado numa carteira já de 6,6 GW no Alentejo.

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Companhia chinesa prepara central solar, parque eólico e sistema de armazenamento por baterias no concelho de Montemor-o-Novo. O Alentejo concentra a maioria do pipeline de 6,6 gigawatts de energia solar da empresa em Portugal.

A empresa chinesa Chint Solar deu início ao processo de licenciamento de um novo projeto híbrido de energias renováveis em Montemor-o-Novo, no distrito de Évora, reforçando a sua presença no Alentejo, região onde se concentra a maior parte da carteira de investimentos da companhia em Portugal.

O empreendimento prevê a instalação de uma central solar fotovoltaica, um parque eólico e um Sistema de Armazenamento de Energia por Baterias (BESS), num projeto com capacidade global de cerca de 100 megawatts (MW).

Segundo a documentação do processo de licenciamento, a infraestrutura terá uma potência máxima de injeção na Rede Elétrica de Serviço Público (RESP) de 50 MVA, integrando uma central solar com 66 MWp de potência pico, um parque eólico com 45 MW e um sistema de baterias com 50 MW de potência nominal e 100 MWh de capacidade de armazenamento.

A componente fotovoltaica será composta por mais de 98.300 módulos solares, enquanto o parque eólico contará com 10 aerogeradores, cada um com potência de 4,5 MW.

A produção anual estimada ultrapassa os 217 mil megawatts-hora (MWh), energia suficiente para abastecer aproximadamente 66 mil habitações por ano, evitando, segundo a promotora, a emissão de mais de 45 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂) anualmente.

Empresa destaca impacto económico e ambiental

Na documentação submetida no âmbito do licenciamento, a Chint Solar sustenta que, durante a fase de exploração, o projeto contribuirá para a produção contínua de energia renovável de baixo teor carbónico, ajudando a reduzir as emissões de gases com efeito de estufa e a cumprir as metas climáticas nacionais e europeias.

A empresa considera ainda que o investimento poderá gerar emprego direto e indireto associado à operação e manutenção da infraestrutura, criar receitas fiscais e rendas para municípios e proprietários locais, além de reforçar a atratividade do território para novos investimentos ligados à sustentabilidade.

A promotora refere igualmente que a utilização do solo será compatível com atividades como a silvicultura e a pastorícia.

Mais projetos em fase de licenciamento no Alentejo

O projeto de Montemor-o-Novo integra um conjunto de novos investimentos que a empresa começou a licenciar este ano no Alentejo, num total superior a 1,3 gigawatts (GW) de potência solar e sistemas de armazenamento.

Entre eles encontram-se as centrais fotovoltaicas de:

  • São Gião, com 564 MW;
  • Tapada Grande, com 580 MW;
  • Monte Santos, com 111 MW.

Os projetos de São Gião e Tapada Grande incluem igualmente 50 MW de capacidade eólica, reforçando a estratégia da empresa de combinar diferentes tecnologias de produção e armazenamento de energia.

Alentejo concentra a maior parte da carteira da Chint Solar

A Chint Solar entrou no mercado português em 2023, após adquirir a empresa portuguesa SolCarport, anteriormente detida pela alemã ProEnergy.

Com essa operação, herdou uma carteira de projetos que totaliza 6,6 gigawatts de energia solar, sendo a maioria localizada no Alentejo, conforme noticiado pelo Jornal Económico em agosto de 2025.

Em Portugal, a empresa já opera a central solar da Ínsua, em Serpa, com 48 MWp, inaugurada em 2022. Em Albergaria-a-Velha, iniciou este ano a construção de uma nova central fotovoltaica com 73 MWp.

Em 2025 apresentou ainda à Agência Portuguesa do Ambiente uma Proposta de Definição de Âmbito (PDA) para um projeto localizado no concelho da Vidigueira, prevendo uma central solar de 340 MWp, dois aerogeradores com potência superior a 14 MW e um sistema de armazenamento com 620 MWh de capacidade, estimando uma produção anual de 671 GWh.

Vários projetos de grande dimensão previstos na região

De acordo com informação anteriormente divulgada pelo Jornal Económico, entre os maiores projetos atualmente integrados na carteira da Chint Solar encontram-se:

  • Cavandela (Castro Verde) – 504 MWp;
  • Cafelado (Viana do Alentejo) – 504 MWp;
  • Monte Coito (Mértola) – 504 MW;
  • São Gião (Portel) – 504 MWp;
  • Baldio de São Romão (Reguengos de Monsaraz) – 450 MWp;
  • Porto Mouro (Ferreira do Alentejo) – 390 MWp;
  • Monte das Flores (Évora) – 480 MWp;
  • Monte Novo + Amieira (Vidigueira) – 372 MWp.

Segundo a mesma fonte, a empresa dispõe atualmente de mais de 3,8 gigawatts aprovados para ligação à rede elétrica, através de acordos diretos com a REN e a E-Redes.

No âmbito dos acordos celebrados com a REN, a Direção-Geral de Energia e Geologia autorizou já nove projetos, que totalizam mais de 3,3 gigawatts de potência aprovada. Nos acordos com a E-Redes foram aprovados 11 projetos, correspondentes a 500 MW.

O desenvolvimento destes empreendimentos coloca o Alentejo no centro da expansão da produção de energia renovável em Portugal, concentrando alguns dos maiores investimentos atualmente previstos para o setor.

Augusta Serrano – Jornalista

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