Quarta-feira, Outubro 7, 2026

Chefe do Exército desafia militares em Estremoz: «As ideias não têm postos nem idade»

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General Eduardo Mendes Ferrão colocou as pessoas no centro da modernização do Exército e defendeu, nas comemorações dos 319 anos do Regimento de Cavalaria n.º 3, uma transformação construída em todos os níveis da instituição.

O Chefe do Estado-Maior do Exército, general Eduardo Mendes Ferrão, defendeu esta terça-feira, 15 de setembro, em Estremoz, que a modernização das forças terrestres depende não apenas de novos meios e equipamentos, mas sobretudo de militares motivados, disciplinados e envolvidos na transformação da instituição.

No discurso proferido durante a cerimónia comemorativa do Dia da Arma de Cavalaria e do 319.º aniversário do Regimento de Cavalaria n.º 3 (RC3), o responsável máximo do Exército dirigiu um apelo particularmente direcionado para a participação dos militares, incluindo os das gerações mais jovens.

“As ideias não têm postos nem idade. Não tenham medo. Pensem, sejam parte ativa e contributiva para a nossa transformação.”

Perante militares, antigos combatentes, representantes autárquicos e convidados, Eduardo Mendes Ferrão sustentou que a mudança no Exército não pode ficar dependente apenas de decisões tomadas nos níveis superiores da hierarquia.

“Não esperem que a mudança seja decretada”, afirmou, defendendo que a transformação deve ser construída em todos os níveis da organização, “do soldado até aos mais altos escalões”.

“A modernização faz-se com as pessoas”

O Chefe do Estado-Maior do Exército colocou o fator humano no centro do processo de modernização, sublinhando que a disponibilidade de equipamentos e de meios tecnologicamente avançados não determina, por si só, a eficácia de uma organização militar.

A modernização faz-se com as pessoas e para as pessoas. É só com elas que é possível concretizar o processo de modernização.”

Segundo Eduardo Mendes Ferrão, as organizações mais eficazes não são necessariamente aquelas que dispõem de mais recursos ou dos equipamentos mais sofisticados, mas as que conseguem manter as pessoas “motivadas, disciplinadas e comprometidas com a missão comum”.

O general defendeu igualmente o desenvolvimento de lideranças em todos os níveis da estrutura militar, capazes de interpretar as mudanças, envolver os mais jovens e estimular a experimentação, a curiosidade e o “desassossego intelectual”.

Cavalaria entre a identidade histórica e a transformação

Na intervenção em Estremoz, Eduardo Mendes Ferrão recuperou valores historicamente associados à Cavalaria — movimento, velocidade, coragem, iniciativa e audácia — para enquadrar o papel desta Arma no processo de transformação em curso no Exército.

Essa evolução, salientou, implica alterar “a forma como pensamos, como nos organizamos, como treinamos e como nos equipamos”, sem abandonar os valores identitários da instituição.

O Chefe do Estado-Maior do Exército evocou a capacidade histórica de adaptação da Cavalaria, que transitou “do sabre para o poder de fogo” e “do cavalo para os blindados”, mantendo a ligação às suas tradições e ao espírito de serviço.

O discurso recuperou também a figura de Mouzinho de Albuquerque, patrono da Cavalaria, associando-lhe valores como a coragem, a firmeza das convicções, a assunção de responsabilidades, a independência de espírito e o sentido do dever.

RC3 mantém ligação histórica a Estremoz

Eduardo Mendes Ferrão destacou ainda a relação entre o Regimento de Cavalaria n.º 3, o Município de Estremoz e a população, enquadrando essa proximidade na ligação do Exército às comunidades onde está implantado.

A instituição militar, afirmou, deve permanecer “junto das pessoas e das populações”, ouvindo as suas preocupações e mantendo disponibilidade para apoiar as comunidades.

O Regimento de Cavalaria n.º 3, conhecido como “Dragões de Olivença”, tem as suas origens em 1707 e encontra-se instalado em Estremoz desde 1875. A unidade assinala o seu dia a 15 de setembro, data da Batalha de Fuente de Cantos, travada em 1810.

A cerimónia realizada junto aos Paços do Concelho integrou as comemorações dos 319 anos do RC3, que decorrem em setembro com várias iniciativas de ligação à comunidade.

No ano em que o Regimento completa 319 anos, a intervenção do Chefe do Estado-Maior do Exército colocou no centro das comemorações um desafio que ultrapassa a modernização dos equipamentos: envolver os militares na forma como o Exército pensa, se organiza, treina e se prepara para as exigências futuras.

Augusta Serrano – Jornalista

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