Quarta-feira, Setembro 16, 2026

Castro Almeida responde ao Alentrium.pt sobre área empresarial e terminal ferroviário no Alentejo.

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Castro Almeida confirmou ao Alentrium.pt, em Estremoz, que o projeto “está assumido” e “é para levar para diante”. Sete municípios defendem a localização junto à nova ferrovia Sines–Caia, no eixo Alandroal–Vila Viçosa.

O Governo vai avançar com a criação de uma Grande Área de Acolhimento Empresarial no Interior do Alentejo, cabendo à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo desenvolver o estudo técnico que sustentará a decisão sobre a localização.

A confirmação foi feita pelo ministro da Economia e da Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, em resposta a uma questão colocada pelo Alentrium.pt, em Estremoz, sobre a proposta apresentada por Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa para instalar a infraestrutura junto à nova ferrovia Sines–Caia.

“O projeto de criar uma grande área empresarial no Alentejo interior é um projeto que está assumido, é para levar para diante e a localização em concreto vai depender muito do estudo técnico que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo vier a fazer”, afirmou Castro Almeida ao Alentrium.pt.

O governante revelou ainda que deverá reunir-se com os presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional para definir orientações destinadas à identificação das localizações mais adequadas.

Governo quer decisão sustentada em critérios técnicos

Questionado pelo Alentrium.pt sobre as possibilidades de a proposta dos sete municípios avançar, Castro Almeida não se pronunciou sobre uma localização concreta.

O ministro deixou, contudo, claros os critérios que deverão pesar na decisão.

“Pode haver espaço para uma decisão política, mas sustentada em trabalho técnico”, afirmou, enumerando fatores como as acessibilidades, recursos naturais, estabilidade e orografia dos terrenos, disponibilidade de água e existência de redes elétricas de muito alta tensão.

Castro Almeida insistiu que o Governo aguardará pelo trabalho da CCDR Alentejo antes de tomar uma posição sobre qualquer candidatura territorial.

“Eu não posso pronunciar-me nesta altura sobre nenhuma proposta em concreto. Eu vou esperar pelo trabalho que a Comissão de Coordenação vier a fazer.”

Segundo explicou, será a CCDR Alentejo a estudar as diferentes possibilidades e a apresentar posteriormente uma proposta ao Executivo.

“A política tem que assentar em pressupostos técnicos e a Comissão de Coordenação vai fazer esse estudo e depois fará uma proposta ao Governo e o Governo logo decidirá”, acrescentou.

Sete municípios defendem localização junto à Sines–Caia

A posição do Governo surge numa altura em que Alandroal, Borba, Estremoz, Redondo, Reguengos de Monsaraz, Sousel e Vila Viçosa defendem conjuntamente a instalação da futura área empresarial junto à Estação Técnica n.º 2, no eixo Alandroal–Vila Viçosa, da nova ligação ferroviária do Corredor Internacional Sul.

Os municípios já apresentaram à CCDR Alentejo os argumentos que sustentam a proposta.

A estratégia procura aproveitar a proximidade à ferrovia Sines–Caia, à fronteira espanhola e à autoestrada A6 para criar uma área com capacidade para receber investimentos empresariais e industriais de maior dimensão.

A localização está também relacionada com outro projeto defendido pelos mesmos sete municípios: a criação de um terminal ferroviário para carga e descarga de mercadorias, acompanhado por uma zona logística, junto à Estação Técnica n.º 2.

Castro Almeida falou com ministro das Infraestruturas sobre terminal ferroviário

O Alentrium.pt questionou igualmente Castro Almeida sobre o futuro deste projeto, cujo desenvolvimento depende diretamente da área governativa das Infraestruturas.

Neste caso, o ministro não antecipou uma decisão, mas revelou ter abordado recentemente o assunto com o ministro das Infraestruturas.

“Esse assunto cai diretamente na competência do meu colega das Infraestruturas. É ele que está a tratar desse assunto e eu ainda há pouco tempo falei com ele sobre isso.”

Castro Almeida explicou que não pretendia avançar informação sobre uma matéria cuja responsabilidade direta pertence a outra tutela, apesar da articulação necessária entre diferentes áreas governativas.

O ministro enquadrou essa articulação na política de coesão territorial, salientando que esta depende de áreas como educação, infraestruturas, saúde e ambiente.

“Eu tenho que articular com os diferentes ministros setoriais o desenvolvimento do país inteiro. E é isso que está a acontecer e vai acontecer aqui no Alentejo, com toda a certeza”, afirmou.

Terminal e área empresarial podem convergir no mesmo território

A proposta dos sete municípios procura fazer convergir no mesmo território a futura Grande Área de Acolhimento Empresarial e o projeto do terminal ferroviário e plataforma logística.

Os municípios têm vindo a trabalhar no terminal de mercadorias em articulação com a Infraestruturas de Portugal, tendo sido desenvolvidos estudos sobre a solução junto à Estação Técnica n.º 2.

A proximidade à nova ferrovia, à A6 e à fronteira espanhola constitui um dos principais argumentos apresentados pelas autarquias para a localização da área empresarial, particularmente pela possibilidade de ligação logística ao Porto de Sines e aos mercados ibéricos.

Entre as atividades económicas que poderão beneficiar de uma infraestrutura desta natureza encontra-se a indústria dos mármores, fortemente implantada nos concelhos desta zona do Alentejo, assim como o setor agroindustrial.

A localização permanece, porém, em aberto. As declarações de Castro Almeida ao Alentrium.pt confirmam que a criação da Grande Área de Acolhimento Empresarial no Interior do Alentejo está decidida pelo Governo, mas não que a proposta dos sete municípios tenha sido escolhida.

A próxima etapa passará pelo estudo técnico da CCDR Alentejo, que deverá avaliar as diferentes soluções e apresentar uma proposta ao Governo para decisão.

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