Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Castelo de Fontalva guarda séculos de história numa herdade do concelho de Elvas

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Fortificação situada no Monte Velho de Fontalva terá sucedido a ocupações muito anteriores e ganhou a configuração que hoje conhecemos no século XVI. Classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1977, conserva a memória da arquitetura militar e senhorial do Alto Alentejo.

No alto do Monte Velho de Fontalva, na freguesia de Santa Eulália, concelho de Elvas, ergue-se uma fortificação cuja história atravessa diferentes períodos de ocupação do território alentejano. O Castelo de Fontalva, implantado na margem direita da ribeira com o mesmo nome, encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1977.

A informação disponibilizada pelo Património Cultural aponta para uma presença humana muito anterior ao atual edifício. Na área da Herdade de Fontalva existem monumentos megalíticos e, no local onde se encontra a fortificação, foram identificadas estruturas e artefactos associados à época castreja, incluindo cerâmicas romanas.

Sobre esse substrato romano e, possivelmente, também de ocupação árabe, terá sido construída uma primeira atalaia ou torre de vigia, atribuída a Pero da Silva. A data da construção não é conhecida, embora a documentação patrimonial admita que possa situar-se próximo de 1419, ano em que D. João I lhe concedeu uma carta de couto.

A estrutura teria uma função de vigilância territorial articulada com outras posições defensivas da região, entre as quais o Castelo de Barbacena e várias atalaias existentes nas proximidades.

De torre de vigia a residência senhorial

Da primeira estrutura medieval não subsistem, segundo a informação oficial, vestígios identificáveis. O castelo atualmente existente resulta de uma intervenção posterior realizada durante o reinado de D. João III, entre 1521 e 1557, quando a antiga torre foi transformada numa residência solarenga acastelada.

Nesse período, o imóvel integrava o morgadio de Fontalva, então pertencente a D. Pedro da Silva. A ligação à família permanece visível na pedra de armas dos Silva, colocada sobre a entrada principal da fortificação.

A arquitetura conserva uma marcada componente defensiva. O recinto apresenta uma planta pentagonal irregular, com cinco torreões ou cubelos nos ângulos. Outros dois protegem a entrada principal, aberta na muralha oriental através de um arco redondo.

Sobre o portal encontra-se o brasão da família Silva. As muralhas e os cubelos são rematados por ameias e o conjunto é percorrido por um adarve, ou caminho de ronda, elemento característico da arquitetura militar.

Alterações ao longo dos séculos

O Castelo de Fontalva permaneceu associado aos descendentes dos proprietários quinhentistas e sofreu diversas alterações ao longo do tempo.

De acordo com a documentação patrimonial, em data não determinada entre os séculos XIX e XX foram demolidas várias construções que se encontravam adossadas às muralhas e no interior do recinto.

Já durante o século XX surgiram projetos destinados a conferir novas utilizações ao conjunto, incluindo a intenção de adaptação do imóvel, integrado na Herdade de Fontalva, a unidade turística.

A importância patrimonial do Castelo de Fontalva foi formalmente reconhecida através do Decreto n.º 129/77, publicado no Diário da República de 29 de setembro de 1977, que classificou os seus restos como Imóvel de Interesse Público.

Discreto na paisagem rural do concelho de Elvas, o Castelo de Fontalva constitui hoje um testemunho de diferentes períodos da ocupação deste território, desde os vestígios arqueológicos mais antigos à arquitetura senhorial fortificada que marcou a sua transformação durante o século XVI.

Fontes: Património Cultural – inventário do Castelo de Fontalva; Decreto n.º 129/77, de 29 de setembro.

Fotos: Política, História e património de Portugal

Augusta Serrano – Jornalista

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