O cantor revelou ao Alentrium.pt como nasceu o projeto Alentejo Autêntico e explicou o seu papel na escolha dos artistas para um programa que pretende levar operadores turísticos a conhecer a cultura, a música e os lugares da região.
Buba Espinho considera que o Alentejo representa hoje “um oásis de paz no meio do caos” e acredita que a autenticidade da região, expressa na música, na gastronomia, no vinho e na forma de receber, constitui uma das suas maiores forças de atração.
Em entrevista ao Alentrium.pt, na Quinta do Paral, na Vidigueira, o cantor explicou também como nasceu o projeto Alentejo Autêntico e revelou que ficou responsável pela escolha dos artistas que integram esta iniciativa promovida pela Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.
“O Alentejo é um lugar que parece que parou em certa parte do mundo, mas esse parar não é parar para morrer. É conservar e preservar o bom que nós temos”, afirmou.
Para Buba Espinho, a região diferencia-se num tempo marcado pelo excesso de informação e pelo ruído permanente.
“Vivemos com tanta informação, com tanto barulho e com tanto ruído que estes lugares calmos, estes povos calmos e estas culturas baseadas na simplicidade são o reverso da medalha dos dias de hoje”, observou.
O artista apontou como exemplos dessa simplicidade o cante alentejano, interpretado tradicionalmente por grupos de homens, e a gastronomia regional, evocando a açorda feita com “azeite, alho e pão”.
“Quando há muita confusão, conseguimos ter, no meio do caos, o nosso oásis de paz”, acrescentou.
Um projeto nascido de uma conversa na BTL
Buba Espinho contou ao Alentrium.pt que o Alentejo Autêntico começou a ganhar forma durante uma conversa com José Manuel Santos, presidente da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo, na Bolsa de Turismo de Lisboa.
“Começámos a falar sobre esta questão de o Alentejo estar efetivamente nas bocas do mundo e de ser altura de trazermos cá entidades do turismo para conhecerem a nossa cultura”, explicou.
Segundo o cantor, a Turismo do Alentejo assumiu o trabalho de atrair esses profissionais à região, enquanto a sua responsabilidade passou pela construção do programa artístico.
“O meu lado foi arranjar este cardápio de artistas. Já fizemos três concertos este ano e iremos fazer muitos mais em 2027”, revelou.
O programa prevê um total de 12 encontros até junho de 2027, realizados em diferentes unidades turísticas e espaços da região. Mais do que concertos, a iniciativa procura criar experiências que associem música, cante, vinho, gastronomia, paisagem e enoturismo.
“Gosto de fazer estas coisas que também me apaixonam muito. Não é só cantar: é produzir estes eventos em lugares únicos e criar experiências únicas”, salientou Buba Espinho.
“Não queremos apenas concertos em grandes palcos”
A passagem do Alentejo Autêntico pela Quinta do Paral teve como protagonista Luís Trigacheiro, acompanhado pelo Grupo Coral da Vidigueira, numa atuação dirigida a convidados, jornalistas e profissionais ligados ao setor turístico.
“Não queremos apenas concertos em grandes palcos. Também queremos mostrar estes lugares lindíssimos do nosso Alentejo e aquilo que de bom existe, não só através da música, mas também da gastronomia e do vinho”, afirmou Buba Espinho.
O cantor considerou que a combinação destes elementos ficou demonstrada na Quinta do Paral, onde Luís Trigacheiro protagonizou “um grande concerto”.
A atuação incluiu ainda um momento partilhado por Buba Espinho e Luís Trigacheiro. Os dois artistas, separados por apenas dois anos de idade, cresceram musicalmente próximos e participaram em vários projetos conjuntos.
“Crescemos a cantar juntos. Sempre que temos oportunidade de voltar a cantar as canções que gravámos em conjunto, e que também já são do público, é muito especial”, confessou.
O cante como porta de entrada para o território
Buba Espinho reconhece que a projeção alcançada pelo cante alentejano tem ajudado a despertar a curiosidade pela região, levando novos públicos a conhecerem pessoalmente os lugares retratados nas canções.
“Conseguimos mostrar o Alentejo ou, pelo menos, cativar as pessoas para que venham ver com os seus próprios olhos que as letras que cantamos não são falsas”, afirmou.
Para o artista, o cante possui a capacidade de construir “um quadro visual e literário” sobre o território, mas a valorização do Alentejo resulta de um trabalho coletivo que ultrapassa os músicos e os palcos.
“É um propósito comum: querermos que toda a gente olhe para o nosso Alentejo, que o valorize, que cante as nossas canções, que coma a nossa comida e que saia daqui sempre com a melhor ideia daquilo que é o Alentejo”, defendeu.
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Buba Espinho destacou ainda o contributo de profissionais, entidades públicas, comunicação social e agentes culturais que trabalham na divulgação da região, mesmo sem aparecerem “nas capas dos jornais” ou “com as caras nos videoclipes”.
“Também são grandes trabalhadores e grandes impulsionadores da nossa cultura e do nosso Alentejo”, concluiu.
