Segunda-feira, Agosto 10, 2026

Ano agrícola 2024/2025: calor extremo poupa água, mas cereais e vinho registam quebras na produção

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Boletim anual do INE revela bom desempenho das pastagens, produção elevada de azeite e aumento da carne, apesar de perdas em várias culturas devido ao clima extremo e às tempestades

ano agrícola 2024/2025 ficou marcado por um dos verões mais quentes e secos das últimas décadas, sem que isso tenha provocado escassez de água para a agricultura. Ainda assim, culturas como os cereais, a batata, o vinho e os citrinos sofreram quebras de produção, enquanto as pastagens, o azeite e a produção de carne apresentaram resultados positivos, segundo o boletim anual divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

De acordo com o relatório, o verão de 2025 foi o mais quente e seco dos últimos 94 anos. Apesar das condições meteorológicas adversas, a disponibilidade de água para a atividade agrícola foi suficiente, permitindo uma campanha considerada excecional para as pastagens e culturas forrageiras.

Em sentido inverso, a produção de cereais, batata, vinho e citrinos foi afetada por fenómenos meteorológicos extremos, nomeadamente tempestades, bem como pela incidência de doenças nas culturas, fatores que condicionaram os resultados destas produções.

O documento do INE refere ainda que a produção de azeite voltou a manter níveis elevados, confirmando a recuperação observada nas últimas campanhas agrícolas. Também a produção de carne aumentou 3,1% face ao período anterior.

Já o setor dos lacticínios manteve um desempenho estável, enquanto a produção de ovos atingiu um novo máximo histórico.

Indicadores económicos mostram quebra do rendimento agrícola

No plano económico, os preços da produção agrícola registaram uma subida média de 1,6%, contribuindo para um aumento nominal do Valor Acrescentado Bruto (VAB) da agricultura.

Contudo, o INE assinala que o rendimento agrícola, medido em termos reais por unidade de trabalho anual, recuou 4,5%, sobretudo devido à diminuição dos subsídios atribuídos ao setor.

O relatório evidencia igualmente um agravamento do défice da balança comercial agrícola, que voltou a aumentar, situando-se nos 6,3 mil milhões de euros.

Em sentido contrário, o excedente da balança comercial dos produtos florestais diminuiu, fixando-se em 2,7 mil milhões de euros.

Portugal mantém excedentes em azeite, arroz e vinho

Os dados estatísticos mostram também diferenças significativas entre produtos no que respeita ao autoaprovisionamento alimentar.

Enquanto o grau de autoaprovisionamento dos cereais continua a ser reduzido, Portugal mantém excedentes expressivos na produção de azeitearroz e vinho, reforçando a capacidade exportadora destes setores.

Menos fertilizantes e impacto expressivo dos incêndios rurais

Na componente ambiental, o boletim destaca a redução da utilização de fertilizantes na atividade agrícola.

O INE assinala ainda o impacto dos 8.277 incêndios rurais registados ao longo do período analisado, responsáveis por uma área ardida superior a 270 mil hectares, um dos principais fatores de pressão sobre os ecossistemas e a atividade agrícola.

O balanço anual traçado pelo Instituto Nacional de Estatística mostra, assim, um setor agrícola que conseguiu responder à escassez hídrica provocada pelo calor extremo, mas que continua vulnerável aos fenómenos climáticos extremos, às doenças das culturas e às oscilações económicas.

Augusta Serrano- Jornalista

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