Portugal poderá atingir 114.900 toneladas de amêndoa com casca em 2026. A previsão surge após uma redução da área desta cultura no regadio de Alqueva.
A produção portuguesa de amêndoa deverá aumentar 39% em 2026 e atingir 114.900 toneladas com casca. A perspetiva de crescimento tem relevância para o Alentejo, onde o regadio de Alqueva reunia 22.728 hectares de amendoal em 2025, mantendo esta cultura como a segunda mais expressiva do empreendimento, depois do olival.
A evolução da produção nacional contrasta com a redução recente da superfície ocupada por amendoais em Alqueva. Em 2023, a cultura abrangia 23.859 hectares, passando para 23.653 hectares em 2024 e para 22.728 hectares em 2025.
Estes valores dizem respeito à área agrícola servida pelo sistema de regadio de Alqueva e não apenas aos terrenos localizados junto às margens da albufeira. A diminuição da superfície não permite, por si só, concluir que exista uma quebra da produção, que depende também da idade dos pomares, da produtividade e das condições de cada campanha.
Colheita nacional com perspetivas de crescimento
A previsão para 2026, elaborada pela Demeter em parceria com a Portugal Nuts — Associação Promoção Frutos Secos, compara as 114.900 toneladas esperadas com uma produção provisória de 82.700 toneladas em 2025.
O volume estimado corresponde a 34.470 toneladas de miolo, calculadas com um rendimento de descasque de 30%. O intervalo previsto situa-se entre 31 mil e 38 mil toneladas de miolo, pelo que os números ainda não representam um balanço definitivo da colheita.
Publicada em 18 de setembro, com dados reportados a 11 de setembro, a estimativa considera a idade e a capacidade produtiva dos pomares, a disponibilidade de água, as condições meteorológicas e a informação estatística e técnica disponível.
A Portugal Nuts associa as perspetivas favoráveis à maturidade dos pomares, ao aumento da produção e às condições observadas durante a campanha.
Campanha deverá prolongar-se até meados de outubro
O presidente da Portugal Nuts, Tiago Costa, indicou que a colheita começou em meados de agosto e deverá terminar em meados de outubro. As declarações foram prestadas aos jornalistas durante uma visita do ministro da Agricultura a uma fábrica de descasque de amêndoa em Beja, em 30 de setembro.
Segundo o responsável, a campanha apresenta melhorias no rendimento e na qualidade da amêndoa, acompanhadas por uma subida do preço. Tiago Costa reconheceu também o arranque de alguns amendoais, sem quantificar a superfície, e apontou a necessidade de consolidar os conhecimentos técnicos e operacionais após o crescimento acelerado do setor.
O aumento previsto de 39% abrange o conjunto do país.
Augusta Serrano – Jornalista


