Sexta-feira, Maio 15, 2026

Alterações climáticas e abandono rural responsáveis por 13% de território perdido em incêndios na última década.

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O verão de 2025 reforça a posição de Portugal como um dos países mais vulneráveis a incêndios florestais na União Europeia.

Abela, 16 de setembro de 2025 – Portugal voltou a ser um dos países europeus mais atingidos por incêndios florestais, com quase 279 mil hectares destruídos entre junho e setembro. De acordo com o sistema europeu EFFIS, esta área representa 2,89% do território nacional, a maior percentagem registada entre os Estados-membros da União Europeia este ano.

A dimensão dos fogos de 2025 triplica a média dos últimos 20 anos e reforça uma tendência preocupante: nos últimos dez anos, o país perdeu 13% da sua superfície devido a incêndios. Em conjunto com Espanha, Portugal representa dois terços da área total ardida em solo europeu, que este ano ultrapassou um milhão de hectares.

As causas estão associadas a fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais frequentes e intensos. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) alerta que ondas de calor, secas prolongadas e ventos fortes – hoje até 40 vezes mais prováveis e 30% mais severos do que num cenário sem alterações climáticas – criam condições altamente propícias à propagação de incêndios.

A desertificação do interior, o abandono das atividades agrícolas e a disseminação de monoculturas como o eucalipto, considerada altamente inflamável, são também fatores estruturais que potenciam a recorrência dos fogos.

Para Samuel Delesque, cofundador da Traditional Dream Factory, é necessário repensar a forma como o território é utilizado. Defende a transição para sistemas agroflorestais e estratégias de retenção de água como forma de criar paisagens mais resilientes ao fogo. Segundo as suas estimativas, substituir metade da área ocupada por eucalipto poderia gerar um aumento de 3% no PIB nacional, criar 43 mil empregos e reduzir significativamente a incidência de incêndios.

“As mudanças começam a ser visíveis entre três e sete anos e, em dez a quinze, é possível alcançar uma resiliência sustentável do território”, explica Delesque, sublinhando a importância de uma abordagem integrada entre ecologia e economia rural.

Augusta Serrano

Jornalista

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