Concelho alentejano apresenta um coeficiente de Gini de 26,9%, o mais baixo de Portugal. Dados do INE mostram ainda que o Alentejo Central é a sub-região do país com menor concentração dos rendimentos.
O Alandroal apresenta a distribuição de rendimentos mais igualitária entre todos os municípios portugueses, de acordo com os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) relativos aos rendimentos declarados em IRS em 2024. O concelho do distrito de Évora registou um coeficiente de Gini de 26,9%, o valor mais baixo do país, num indicador cuja média nacional se situou nos 35,6%.

O resultado coloca o município alentejano em particular destaque num retrato nacional que evidencia diferenças significativas na distribuição dos rendimentos. O coeficiente de Gini é utilizado para medir a concentração do rendimento: quanto mais próximo de zero, mais uniforme é a sua distribuição; valores mais elevados correspondem a uma maior desigualdade.
No caso do Alandroal, os 26,9% representam, assim, o menor nível de concentração dos rendimentos registado entre os municípios portugueses.
O comportamento do concelho acompanha uma tendência mais abrangente no território onde está inserido. O Alentejo Central foi também a sub-região NUTS III com menor concentração de rendimentos entre as 26 sub-regiões do país.
Alentejo Central supera média nacional de rendimento mediano
Os dados do INE mostram, contudo, que uma distribuição mais equilibrada dos rendimentos não significa necessariamente rendimentos mais elevados.
No conjunto do Alentejo, o rendimento mediano declarado em IRS em 2024 foi de 12.022 euros por sujeito passivo, abaixo dos 12.316 euros registados a nível nacional.
Ainda assim, nove municípios alentejanos apresentaram valores superiores à média portuguesa.
Évora liderou a região, com um rendimento mediano de 13.926 euros por sujeito passivo, seguindo-se Castro Verde, com 13.826 euros, Santiago do Cacém, com 13.507 euros, e Sines, com 13.442 euros.
Entre as sub-regiões alentejanas, o Alentejo Central foi a única a ultrapassar a média nacional, alcançando um rendimento mediano de 12.467 euros por sujeito passivo.
Odemira apresenta rendimento mediano mais baixo do Alentejo
No extremo inferior da tabela regional encontra-se Odemira, com um rendimento mediano de 9.657 euros por sujeito passivo. É o único município do Alentejo onde este indicador ficou abaixo dos 10 mil euros.
Seguem-se Ferreira do Alentejo, com 10.633 euros, Mértola, com 11.174 euros, Sousel, com 11.186 euros, e Ponte de Sor, com 11.188 euros.
A evolução anual mostra, por outro lado, aumentos expressivos em alguns concelhos. Mértola registou o maior crescimento da região, de 10,6%, seguido de Portel, com 9,8%. Ambos ficaram acima da variação nacional, que atingiu 7,6%.
Alentejo mais igualitário, mas com rendimentos abaixo da média
Os indicadores revelam, desta forma, duas realidades distintas na região. Por um lado, o Alentejo apresenta níveis de concentração dos rendimentos inferiores aos observados no conjunto do país, não existindo, segundo os dados apresentados, qualquer município alentejano acima do coeficiente de Gini nacional de 35,6%.
Por outro, o rendimento mediano regional, de 12.022 euros, permanece abaixo da média portuguesa.
É neste retrato que o Alandroal assume particular destaque nacional: com um coeficiente de Gini de 26,9%, o concelho apresenta o menor nível de desigualdade na distribuição dos rendimentos entre todos os municípios de Portugal.
Augusta Serrano – Jornalista


