Santuário para elefantes em cativeiro nasce em Vila Viçosa e Alandroal
Está em curso a criação do primeiro grande santuário europeu para elefantes que viveram em cativeiro, um projeto pioneiro localizado nos concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, no Alentejo. A chegada dos primeiros animais está prevista para o início de 2026, segundo foi anunciado esta quinta-feira pelos promotores, durante uma conferência de imprensa em Vila Viçosa.
A elefanta-africana Kariba, atualmente residente no zoo belga Pakawi, será a primeira habitante do espaço. Nascida no Zimbabué e levada ainda bebé para a Europa nos anos 80, Kariba viveu os últimos 40 anos em jardins zoológicos na Alemanha, Países Baixos e Bélgica. A transferência surge na sequência da morte do seu companheiro, que levou o zoo belga a procurar uma solução que evitasse o isolamento do animal.
O novo santuário contará com 402 hectares preparados para acolher elefantes reformados, tornando-se o maior espaço do género em Europa. O objetivo é proporcionar uma vida com maior liberdade e qualidade a animais que viveram décadas fora do seu habitat natural.
Durante a apresentação, o presidente da Câmara Municipal de Vila Viçosa, Inácio Esperança, destacou a dimensão da iniciativa. “Quando o projeto apareceu no meu gabinete, achei a ideia gigantesca”, afirmou, reconhecendo o ceticismo inicial de alguns responsáveis autárquicos e locais. Ainda assim, sublinhou o empenho da autarquia em apoiar o desenvolvimento da proposta, quer ao nível de licenciamentos, quer na revisão de instrumentos de ordenamento do território que possam facilitar investimentos com impacto ambiental positivo.
O autarca referiu ainda que o projeto se alinha com políticas locais de preservação da paisagem e valorização do património ambiental, sendo também uma oportunidade para atrair novas dinâmicas à região. “Acreditamos muito que os elefantes vão chegar, e acreditamos no potencial deste projeto”, reforçou.
O santuário integra ainda a proposta de criação de Centros Interpretativos em Vila Viçosa e Alandroal, que permitirão à população local e visitantes um contacto mais próximo com a missão e os impactos do projeto.


